Eu ia escrever sobre aborto porque fiquei inspirado quando li o que aconteceu essa semana na Câmara dos deputados em que dois projetos foram rejeitados pela Comissão de Constituição e Justiça. Pena que não vi essa notícia no jornal da Globo da TV, que tem grande circulação e infuência no Brasil, mas fiquei sabendo através de alguns sites de menor porte.

Antes de escrever sobre a ilusão das células embrionárias quero manifestar minha indignação com o PT:

Infelizmente votei em Lula na eleição passada mas eu tava num impasse angustiante de indecisão entre Lula e Alckmin; os dois são bem diferentes mas é porque eu queria juntar a moral de Alckmin com a vontade de diminuir a desigualdade social que Lula demosntrava, além de que Lula é nordestino, mas percebi que demonstrar vontade não significa propriamente ser fiel ao que se propôs. E também, talvez por falta de pesquisa mais aprofundada da minha parte, ou porque o próprio PT não quis mostrar isso às claras para não decepcionar a opinião pública, eu e 99% da população do Brasil não sabíamos que a legalização do aborto e outras coisas relacionadas estavam nos planos de governo do partido... Se Alckmin tivesse explorado esse assunto na campanha quem sabe o resultado não seria outro... Esta acabou sendo uma das causas das minhas maiores decepções, além dos grandes roubos de pessoas do alto escalão do governo que não preciso mencionar... mas diferente de alguns que podem não dar importância a esse assunto, ele é de grande relevância pra mim e é capaz de mostrar o nível de caráter e personalidade de alguém porque o caráter se reflete naquilo que defendemos e nos esforçamos pra fazer e ensinar.

O PT, representado na pessoa de José Genoíno e do imbecil do ministro da saúde José Gomes Temporão (que é importante lembrar que trouxe de volta a febre amarela erradicada há décadas e nos fez vivenciar a maior epidemia de dengue da história do Brasil, isso sem falar no caos dos médicos de demitindo e fazendo greve nas emergências dos hospitais públicos que, inclusive, conheço porque tive a oportunidade de estagiar em Traumatologia Buco-Maxilo-Facial no HR e também vivi o caos dos pacientes atendidos no serviço gratuito de odontologia da UFPE, que sofrem pra conseguir as poucas vagas que existem), esses sujeitos do PT querem, a todo custo, legalizar o aborto no Brasil, ignorando inclusive a maioria da opinião pública; isso não é postura de polítcos que mereçam o nosso respeito. Infelizmente do respeito que eu ainda tinha por eles, não sobrou quase nada!!!



Agora falando sobre a Ilusão das Células Embrionárias:

Primeiro quero esclarecer umas coisas:


O que são células tronco?

São células indiferenciadas (que ainda não se especializaram - diferenciaram - em nenhuma função de nenhum tecido do corpo) e por isso podem se multiplicar e se diferenciar em diversas células do corpo humano que não conseguem se regenerar depois de diferenciadas, como os neurônios por exemplo.

Quais tipos existem de células tronco?
Célucas tronco adultas de diversos tecidos do corpo (como as de medula óssea), células tronco de cordão umbilical e células tronco embrionárias. Recentemente descobriu-se ainda uma nova técnica de pegar células diferenciadas da pele e desprogramá-las fazendo-as regredir ao nível de uma célula tronco embrionária.

Como são obtidas as células tronco embrionárias?
Faz-se a fecundação em laboratório, unindo espermatozóide e óvulo, e deixa-se o embrião se desenvolver por alguns dias (5 a 7 dias) até alcançar a fase de blastocisto, nesse momento as células do embrião são retiradas e ele morre. Isso é a mesma coisa de fazer aborto!!!!!

Qual a posição da Igreja Católica e outros grupos pró-vida?
Eles apoiam toda pesquisa científica que valorize, defenda e promova a vida humana desde o momento da concepção (fecundação, onde passa a existir um novo ser humano, uma nova carga genética diferente dos pais e que se desenvolve por si só necessitando apenas da nutrição obtida através da placenta no útero e de tempo num ambiente apropriado que é o útero). A Igreja e esses grupos pró-vida defendem o uso das céulas tronco adultas, de cordão umbilical e pela nova técnica de desprogramar células mas condenam vêemente o uso de células embrionárias que matam embriões.

Não se justifica o uso se células embrionárias
Não tem lógica, por exemplo, uma pessoa saudável doar um coração pra alguém que precisa de transplante já que sabemos que o doador morreria... da mesma forma é o uso de células embrionárias... Não está certo sacrificar vidas inocentes mesmo que seja em pró de outras e muito menos pra fazer pesquisas como se fossem ratos... Isso é moralmente e éticamente inaceitável... é perder todos os escrúpulos... Muitas pessoas que defendem o uso das células embrionárias o fazem por ignorância ou movido por sentimentalismo irracional de propagandas apelativas que mostram pessoas deficientes... Usando da justiça, da razão e do bom senso vemos que é imundo e ilógico o uso dessas células embrionárias... Deve-se querer a cura das pessoas usando-se de meios justos e lícitos sem causar mal a outros...

E em relação aos embriões congelados?
Nas clínicas de inseminação artificial fazem algumas fecundações in vitro, escolhem uns embriões para colocar no útero da mãe e os que sobram são congelados. A lei que está em questão no STF diz que vai se usar os embriões congelados há mais de 3 anos (se não me engano é esse o tempo). Alguns que são a favor da pesquisa com células embrionárias disseram que depois desse tempo não adiantaria colocar os embriões no útero porque eles não vingariam, mas isso é mentira!!! Nos estados unidos existe uma campanha que estimula a adoção de embriões congelados para eles não irem pra as pesquisas e serem mortos, e nessa campanha eles provaram que muitos embriões congelados há 6 anos ou mais foram implantados nos úteros e hoje são crianças saudáveis e felizes, mas que se correram o risco de serem mortos em pesquisas quando eram embriões. Além do mais imaginemos o comercio de embriões que iria existir com a legalização de seu uso!!! o video da campanha está no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=Pf9dI3UdWq0
...

Em relação ao desenvolvimento científico no Brasil
Alguns que defendem o uso de células embrionárias argumentam ainda que se a lei for vetada no STF o Brasil vai assistir o desenvolvimento científico fora do país sem participar dos avanços cioentíficos. Esse arguemto também é furado, o Brasil pode investir em todos os outros tipos de células tronco e que já deram agum resultado terapêutico promissor, ao contrário das células embrionárias; o Brasil pode investir também na nova técnica de desprogramação de células adultas, que são muito recentes e tem potencial de futuro promissor muito maior que as células embrionárias. Creio eu, inclusive, que com o tempo tende-se-á ao abandono do uso de células embrionárias onde já é permitido visto que tem outras técnicas melhores como a recente descoberta. O Brasil não precisa sujar as mãos de sangues inocentes pra ter desenvolvimento, garanto que esse não é o problema do atraso científico do Brasil.

Falando sobre a Ilusão:

No dia 2 de março de 2005, deficientes em cadeiras de roda foram transportados até o plenário da Câmara Federal, a fim de pressionar os deputados a aprovarem o Projeto de Lei de Biossegurança (PL 2401/2003), especialmente o seu artigo 5º, que iria permitir a morte de embriões humanos para fins de pesquisa e terapia. Quando foi anunciada a aprovação do projeto, os deficientes se comoveram até as lágrimas. A emoção foi tamanha, que parecia que eles já estavam curados ou que a cura estivesse muito próxima. No dia 24 de março, o Presidente Lula sancionaria essa lei (Lei 11.105/2005), tendo o cuidado de vetar vários artigos, mas mantendo intacto o artigo 5º, que, pela primeira vez na história, autorizava a morte de inocentes.

No dia 30 de maio de 2005, o então Procurador Geral da República Cláudio Lemos Fonteles ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 3510 (ADI 3510) contra o artigo 5° da Lei de Biossegurança (Lei n.º 11.105/05) alegando que a destruição de embriões humanos contraria a inviolabilidade do direito à vida prevista no artigo 5º, caput, da Constituição Federal.

No dia 5 de março de 2008, o Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento. Novamente os deficientes foram transportados para lá a fim de assistirem à sessão. O presidente Lula foi representado pelo advogado geral da União José Antônio Toffoli, que fez sustentação oral defendendo a morte dos embriões


O que se diz:
As pesquisas com células-tronco já trouxeram a cura de inúmeras doenças, como mostram todos os dias os meios de comunicação social.

A verdade:
Todas as curas até hoje foram obtidas exclusivamente com células-tronco adultas (CTA), que se encontram na medula óssea, na polpa dentária, no cordão umbilical, na placenta e até no tecido adiposo. Como elas são retiradas do próprio paciente, não ocorre rejeição. Também não produzem tumores. E – o que é o mais importante – não requerem a destruição de embriões humanos.

O que se diz:
As células-tronco extraídas de embriões humanos (CTE) são a grande esperança para a cura de doenças degenerativas.

A verdade:
Até hoje as células-tronco embrionárias (CTE) só produziram tumores, rejeição, desperdício de dinheiro e de vidas humanas. Ninguém foi curado através delas.

O que se diz:
Não se pode exigir um sucesso imediato das células-tronco embrionárias (CTE), pois elas só foram isoladas por Jamie Thomson em 1998, portanto há dez anos.

A verdade:
Em 1998, Thomson isolou células-tronco extraídas de embriões humanos. Mas o estudo de células-tronco embrionárias (CTE) em animais existe desde 1981, quando elas foram isoladas em embriões de camundongo. Até agora, nem sequer em animais se obteve qualquer resultado seguro o bastante para se experimentar qualquer terapia em pessoas. Em 2006, a revista Nature comemorava 25 anos de pesquisa com células-tronco embrionárias[1]. Uma história de fracassos.

O que diz:
Pode ser que, com algum tempo de pesquisa, as células-tronco embrionárias (CTE) venham a ter algum resultado terapêutico positivo.

A verdade:
Se isso, por hipótese, acontecesse, os pacientes deveriam tomar imunossupressores a vida inteira, para evitar a rejeição. E, além disso, seria necessária a “produção” de embriões humanos em escala industrial. Seria preciso destruir não milhares, mas milhões de embriões humanos. Um número bem superior ao de embriões atualmente congelados.

O que se diz:
Somente as células-tronco embrionárias (CTE) são pluripotentes. As células-tronco adultas (CTA) só conseguem regenerar um número limitado de tecidos.

A verdade:
Segundo Dra. Natalia López Moratalla, as células adultas “possuem o mesmo potencial de crescimento e diferenciação das células-tronco embrionárias e substituem muito bem as possibilidades biotecnológicas sonhadas para aquelas”. Segundo ela, “existem cerca de 600 protocolos que utilizam células-tronco adultas, e não se apresentou nenhum com células de origem embrionária”.
Dr. David A. Prentice apresenta-nos um placar de 73 a 0. Setenta e três é o número de patologias até agora tratáveis com células-tronco adultas. Zero é o número de doenças que são tratadas, ou pelo menos aliviadas com as células-tronco embrionárias.

O que se diz:
Os grandes cientistas do mundo inteiro colocam suas esperanças nas células-tronco embrionárias (CTE).

A verdade:
James Thomson (o mesmo que isolou em 1998 as CTE humanas) e Ian Wilmut (o criador da ovelha Dolly) decidiram, por motivos puramente utilitaristas, abandonar as pesquisas que envolvem destruição de embriões humanos para concentrar-se nas células tronco pluripotentes induzidas (CTPI). Trata-se de uma técnica revolucionária que permite produzir células pluripotentes através da reprogramação de células da pele. Os resultados em camundongos têm sido promissores, inclusive para o tratamento do mal de Parkinson.[6]
Dra. Natalia López Moratalla é contundente: “As células-tronco embrionárias fracassaram; a esperança para os enfermos está nas células adultas”.

O que se diz:
Os embriões humanos congelados, se não forem utilizados para pesquisas, não terão outro destino senão o lixo.

A verdade:
Jogar embriões no lixo (se desfazer) é o grande desejo das clínicas de reprodução artificial. Mas eles, se não forem queridos pelos pais, podem perfeitamente ser encaminhados para a adoção.

O que se diz:
Adotar um embrião é uma utopia. Isso jamais aconteceria.

A verdade:
Isso já acontece. Nos Estados Unidos, há várias organizações que facilitam a adoção de embriões congelados, entre as quais: Embryos Alive, Snowflakes e National Embryo Donation Center. Na Itália, onde a Lei 40, de 19/02/2004, proibiu o congelamento, e o descarte de embriões humanos, o Comitê Nacional de Bioética (CNB) propôs que os embriões congelados já existentes sejam implantados no útero de voluntárias que resolvam tornar-se mães adotivas, com reconhecimento legal da adoção.[7]

O que se diz:
Após três anos de congelamento, os embriões tornam-se inviáveis para a implantação no útero.

A verdade:
Diz o CNB do governo italiano: “Esse argumento não encontra fundamento da literatura científica, pela qual não existem hoje evidências de perda de vitalidade nos embriões, mesmo depois de muitíssimos anos de crioconservação”.

O que se diz:
Há embriões com menos de três anos que são inviáveis. Eles morrerão mesmo se forem implantados no útero.

A verdade:
Não há meio de saber se a implantação será ou não bem sucedida, a não ser o “adivinhômetro”. Com toda a sua experiência, Dra. Alice Teixeira[8] afirma: “Desconheço qualquer critério que permita dizer se [o embrião] é viável ou não”.

O que se diz:
A liberação de pesquisa com células-tronco embrionárias (CTE) nada tem a ver com a liberação do aborto.

A verdade:
A permissão de matar embriões humanos congelados tem tudo a ver com o aborto. A única diferença é que tais embriões estão fora do útero, enquanto as vítimas do aborto encontram-se dentro do organismo materno. Os grandes interessados do artigo 5º da Lei de Biossegurança são os promotores do aborto. De fato, tal artigo, se for declarado constitucional, criará um perigosíssimo precedente para a legalização do aborto no país. Tal decisão será uma tragédia nacional, comparável à decisão Roe versus Wade, com que a Suprema Corte dos EUA liberou o aborto em todo o país, em 1973.



Mais cedo ou mais tarde, os pacientes de doenças degenerativas perceberão que estão sendo instrumentalizados para a causa abortista.

No cenário atual, falar de esperança em relação às células-tronco embrionárias (CTE) apresenta-se como fantasia.


Num futuro próximo os legisladores ou juízes poderão declarar que os paralíticos não são pessoas, que os portadores da síndrome de down não são humanos, que os anciãos que sofrem do mal de Alzheimer não têm direitos. E em nome da “ciência” será autorizada a eliminação desses “subumanos” em proveito dos verdadeiros “humanos”.



"Se pelo bem praticamos o mal, se para salvar uma vida tiramos outra, sem salvação ficará o homem." (Carlos Alberto Direito)


"O embrião - insisto neste ponto - faz parte do gênero humano, já é uma parcela da humanidade." (Eros Grau)


"Este debate não opõe ciência e religião, porém religião e religião. Alguns dos que falam pela ciência são portadores de mais certezas do que os líderes religiosos mais conspícuos. Portam-se com arrogância que nega a própria ciência". O pior, segundo Grau, é que muitas dessas certezas seriam um véu para acobertar os interesses do mercado. (Eros Grau)


"A ciência e a tecnologia, embora tenham, de modo geral, ao longo de sua história, trazido progresso e bem-estar às pessoas, não constituem atividades neutras, nem inócuas quanto aos seus motivos e resultados. Elas tampouco detêm o monopólio da verdade, da razão ou da objetividade." (Ricardo Lewandowski)


Um certo pensamento teórico que ficou mais claro no voto do ministro Lewandow-ski, que citou os filósofos Marx, Gramsci e Lukács para dizer que a ciência é "uma ideologia que encobre valores e interesses" e que muitas vezes "faz das pessoas mercadorias". Uma veia de pensamento obstruída pelo pior tipo de colesterol esquerdista. (Ricardo Lewandowski)


“nenhuma outra doutrina criou no homem, como o marxismo, tal ilusão da onipotência. Por isso, ele é o ópio dos intelectuais" (Raymond Aron 1905-1983)


“Aquilo que é moralmente errado não pode ser politicamente correto".


“O valor da vida de um ente humano não se mede pela expectativa de duração, nem pela presença ou ausência de um órgão, nem pelo funcionamento ou não dos sentidos, nem sequer pela possibilidade ou não de consciência.” (Pe Luiz Carlos Lodi)

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Respostas a este tópico

Milton,

respondo primeiramente a algumas de suas indignações com o seguinte texto de Paulo Henrique, publicado em janeiro deste ano:

31/01/2008 12:10


CRISE? QUAL CRISE? QUALQUER CRISE!

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 911


Em nenhuma democracia séria do mundo,
jornais conservadores, de baixa qualidade
técnica e até sensacionalistas, e uma única
rede de televisão têm a importância que têm
no Brasil. Eles se transformaram num partido
político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista

"A palavra CRISE vem da palavra grega KRISIS. A palavra KRISIS deriva do verbo KRINO, que significa 'fazer passar em julgamento'. O primeiro significado para a palavra KRINO foi separar, escolher, cortar e decidir. Ao longo do tempo, o verbo KRINO também passou a significar responder. Esse significado levou a palavra KRINO a originar a palavra HIPOKRITES, que denominava os atores da Tragédia Grega.

Com o passar do tempo, o verbo KRINO passou a ser usado muito fortemente no sentido de julgar e de interpretar. Na época do historiador Heródoto, KRINO adquiriu o sentido de disputa. Na época do historiador Tucídides, KRINO significou evento ou questão.

O verbo KRINO, usado na voz passiva, quer dizer um doente que está em crise.
Nos textos Hipocráticos, a literatura médica dos gregos, o termo KRINO passou a significar o ponto de virada de uma doença ou uma mudança súbita que obriga uma avaliação. Esse é o sentido mais próximo da palavra CRISE como é usada na língua portuguesa."

. Muito impressionado com a freqüência com que o PIG usa a palavra "crise", o Conversa Afiada pediu essa explicação a Giuliana Ragusa, professora de Língua e Literatura Grega da USP.

. O PIG usa a "crise" todo dia, toda hora (nos portais na internet) para designar qualquer evento que se possa transformar num instrumento para derrubar o Presidente Lula – já que não é outro o objetivo do PIG, senão, o golpe de Estado.

. Ao se completar o primeiro mês de 2008, o Conversa Afiada preparou para o seus simpáticos leitores uma lista das crises que, todo dia, contribuíram para derrubar o Presidente Lula, no PIG:

. A crise do desmando fiscal (logo hoje, quando sai o resultado do superávit primário muito acima da meta ...);

. A crise do desmatamento da Amazônia (logo hoje, quando ficou mais claro que a Ministra Marina Silva, como sempre, aproveitou para jogar fogo no paiol – e olha que ela não falou dos bagres ...);

. A crise do "causaéreo" (clique aqui para ler mais sobre o verbete "causaéreo" do Conversa Afiada e clique aqui para ler a entrevista com Marilena Chauí sobre "A Invenção da Crise");

. A crise da epidemia da febre amarela (em que o Ministério Público, se fosse, de fato, um defensor do público, deveria indiciar jornais e jornalistas do PIG por provocar uma crise na saúde pública – clique aqui para ler);

. A crise da dengue, que sucede a da febre amarela, quando o PIG percebeu que errou a mão na febre amarela;

. A crise dos Estados Unidos, em que os colonistas do PIG antecipam o crash da economia americana, o que, é óbvio, vai provocar o crash da economia brasileira e a conseqüente queda do Presidente Lula;

. O apagão elétrico (não do Farol de Alexandria, mas o da Ministra Dilma que ainda está para "acontecer"...);

. A crise do PAC que "empacou", segundo o editor de economia do Globo, e que não existe, uma vez que a Folha o substituiu pelo "PAC-da-Folha" – clique aqui para ler;

. A crise da aftosa ou crise sanitária;

. A crise da suspensão das exportações de gado brasileiro para a União Européia, em que o PIG acredita que a UE tenha razão ...

Em tempo: Na véspera do Carnaval, o PIG se estrebucha com a nova crise: a tapioca de R$ 8,30. Agora, o Lula cai!

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Milton, quando você disse: "imbecil do ministro da saúde José Gomes Temporão (que é importante lembrar que trouxe de volta a febre amarela erradicada há décadas e nos fez vivenciar a maior epidemia de dengue da história do Brasil (...)", acabou indo na onda da laia da imprensa colonista (termo utilisado por PHA, significando colonizadora mesmo), que fez muita gente acreditar que os índices de pessoas com febre amarela era o maior em nossa história, quando na realidade um dos maiores índices foi entre 1998 e 1999, coincidentemente no governo do Farol de Alexandria, e mais coincidentemente ainda não divulgado pela mídia chapa branca.

Uma informação importantíssima sobre essa tal "crise da febre amarela" é que causou muito desespero e até morte, pois pessoas que já haviam tomado a vacina, tomaram novamente por causa do alarde feito. Por isso, a Ong Movimento dos Sem Mídia entrou com uma ação no Ministério Público, em SP, contra empresas jornalísticas que criaram um clima de medo no país, usando até terminologias erradas. O MSM ganhou na primeira instância, mas ainda não sei se os jornais recorreram (para ler sobre a representação do movimento: http://www.viomundo.com.br/denuncias/msm-faz-representacao-ao-minis... ).
O importante é que o MP ratificou o reconhecimento do problema gerado por órgãos que deveriam estar do lado e não contra a população.

E assim como a tal "crise dos médicos", que vem se arrastando há um boooom tempo, não se pode atribuir única e exclusivamente ao atual governo federal, nem muito menos ao ministro José Gomes Temporão. Claro, que ele tem compromisso em resolver os atuais problemas, mas não se pode resolver tudo de uma hora pra outra, nem se pode dizer que tudo começou agora. No Recife, o próprio ministro disse que a falta da CPMF traz um déficit grande no investimento na área de saúde. Sei que há muito dinheiro desperdiçado, só que quando se tinha a mais, foi tirado.

Um outro ponto que me intrigou no seu desabafo, Milton, foi a indignação com o Partido dos Trabalhadores. Eu não sou petista, nem tenho filiação com partido algum, e nem tendência alguma (até na definição neste site da minha visão política tem: crítica - e não esquerda, ou centro-esquerda). Isso porque hoje em dia não há mais fidelidade partidária, nem ideológica (talvez nunca tenha existido).
Tive minhas decepções, ainda tenho, com membros do PT. Mas não posso dizer que o governo federal é do PT. Mas de Lula, em sua maioria. Aliás, não vejo Lula como petista, apesar de ter criado do partido. O PT nunca foi único, nunca teve uma concepção única. Foi formado com a reunião de pessoas desiludidas com outras tendências (ex-marxistas, ex-anarquistas, ex-leninistas, ex-comunistas...) e talvez por causa dessa mistura de decepcionados não tenha caminhado tão bem.

Como já disse aqui no site, não sou 100% Lula. Entretanto, acredito que devemos ter cuidado com o rumo de nosso pensamento quando começa a não filtrar o que vem da mídia do medo.
Ela vive dizendo: "a maior crise política da história", "a maior epidemia da história", "o pior índice de ...", "a maior inflação"... Será mesmo?

Na balança das comparações, há ganhos e perdas. Mas temos que concordar que os ganhos são maiores.

Curioso é que o Brasil quebrou duas vezes nas mãos do Farol FHC, uma gravemente em 1998. Alguém ouviu dizer que foi "a maior quebra do país"? Ou "o pior ano econômico"? Não acho que vejamos isso em veículos de comunicação que não numa Carta Capital, no site do PHA, no blog do Nassif ou do Luiz Carlos Azenha, entre outros muito bons. A questão é filtrar, sempre (até mesmo nesses meios que acabei de citar. Por que não?).

Quanto às células-tronco e ao aborto, eu tenho minhas dúvidas. São grandes e leigas. Mas de uma coisa eu tenho certeza: não sou a favor do pensamento religioso nos dois casos. Isso quer dizer: sou a favor do aborto sim, quando provoca risco grave à mãe, e quando esta foi violentada.
E acredito que devemos seguir em frente com as pesquisas com células-tronco, pois muitos cientistas desacreditam pelas suas religiosidades. Imaginem se tivessem parado as pesquisas com reconstituição de órgãos? Ou com transplante de órgãos? Lógico que nem tudo dá certo na ciência. Mas nada custa tentar.

Abraços,
Endie Eloah.

Para todos refletirem: "Quanto mais aumenta nosso conhecimento, mais evidente fica nossa ignorância" - John Kennedy

Responder esta

Endie, não acho que agi como o que você chama de PIG, até porque também me revolto com esse PIG mas talvez não exatamente pelos mesmos motivos.

Me revolto com a impresa por ela impor a toda uma população seu poder de manipulação disseminando seus valores e contra-valores sem que esse mesmo povo tenha um senso crítico porque se deixam manipular por suas ignorâncias em determinados assuntos e por suas cegeiras diante de sentimentalismos e sensasionalismos a que são expostos por essa mesma mídia que manipuladora.

Em relação à política no que você chama de PIG acho que toda crítica sensata e moderada é bem vinda. Não acho bom uma imprensa querer destituir um governo mas não acho que é isso que acontece no Brasil, pelo menos é o que percebo. Ao contrário, vejo na televisão os repórteres mostrando sempre os números bons da economia do Brasil. É claro que existem também imprensas fatalistas mas não acho que tenham tanta força, e isso não é só em relação ao governo atual, mas sempre existiu. Pior ainda seria uma imprensa baba-ovo do governo, isso seria mal...

Minha idgnação com o PT em específico é por-causa de certos pontos de seu plano para o governo e que é, atualmente, manisfestado por pessoas do alto escalão do partido, como o José Genoíno, juntamente com alto escalão do governo, como o ministro da saúde por exemplo. Esses pontos, em sua maioria, são em relação à área da saúde: são coisas que vão contra os meus princípios e contra os da grande maioria da população brasileira (leiam nessa reportagem do estadão: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071022/not_imp68583,0.php ). Falo do PT porque esse partido insiste nisso enquanto que outros partidos (muitos de esquerda também) fazem o contrário. Minha indginação maior ainda é com o ministro da saúde (ao ponto de chamá-lo de imbecil) é por sua falta de moral, respeito, ética, princípios e escrúpulos. O cara quer legalizar o aborto a todo custo: ele chegou ao ponto de, na semana da véspera da visita do Papa ao Brasil, em maio do ano passado, querer levantar uma polêmica usando de uma atitude infantil como uma criança birrenta que quer brigar pra se mostrar e chamar atenção. Teve uma resposta à altura de sua imbecilidade: sua mãe o repreendeu "deu um puxão de orelha no sentido de que tivesse mais respeito ao Papa"!!!

O aborto já é legal no Brasil em casos de estupro e risco de vida para a mãe... Mas eles querem legalizar o aborto em qualquer hipótese: inclusive quando fizerem sexo sem responsabilidade por aí e depois quizerem descartar o "LIXO" do filho que geraram: já que o pirralho não pode gritar pra se defender mesmo... "Isso é questão de saúde Pública"... pena que a mãe dele não pensou assim.

Sou radicalmente contra o aborto em ualquer hipótese: Nos casos de estupro não creio que a criança tenha que morrer pra que a mãe esqueça o que aconteceu. É como se ela tivesse que dizer: "MAMÃE, DESCULPA PORQUE EU EXISTO!". A menos que a mãe sofra de amnésia, ela nunca vai esquecer o ocorrido mas pode superar o trauma e o amor que dedicará ao filho será o remédio necessário para esse trauma, isso é defendido por muitos psicólogos, não é invenção minha não viu ( leiam no site: http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicolo... ). Sem contar que existe ainda a síndrome pós aborto que é gerada pelo trauma do aborto e que é comprovada por psiquiatras (leiam: http://www.aborto.com.br/sindrome_posaborto/index.htm ).

Em relação ao risco de vida para a mãe isso ficaria a critério da mãe, do médico e da família mas a minha opinião é que deve-se tentar preservar a vida do filho até o último momento até ao ponto de, se preciso for, a mãe morrer pra salvar seu filho: mas isso depende do amor de cada mãe pelo seu filho. Existe uma história muito bonita de uma médica pediatra na Itália dos anos 60, século XX, que fez isso pelo filho, Santa Gianna Beretta, (ver biografia da Santa no site: http://www.cancaonova.com/portal/canais/eventos/novoeventos/cobertu... ).
Mas, de qualquer forma, casos assim, em que a vida da mãe corre risco, é muito, muito raro na medicina dos dias de hoje.

«Não pararemos enquanto for possível encontrar nas nossas cidades uma mulher que diga: "Eu abortei porque não encontrei quem me ajudasse"» (Madre Teresa de Calcutá)

Em relação às células tronco eu acho que você não leu com atenção ou não entendeu o que eu escrevi. Existem as células tronco adultas (oriundas de diversas fontes: cordão umbilical, medula óssea, polpa dentária, etc), as células tronco também adultas obtidas a partir da regressão de células da pele e as células tronco embrinárias (obtidas a partir de um embrião humano que morre com a retirada de suas células - aborto). Nem a Igreja nem esses cientistas são contra as células tronco adultas (que tem dado resultados instigantes), mas são contra o uso das células tronco embrionárias (que matam um embrião humano). Moralmente falando são contram o aborto em nome da ilusão da cura de alguém. Cientificamente falando são contra a ilusão que se tem criado para os deficientes em torno das células tronco embrionárias (que são pesquisadas desde 1981 em camudongos sem nenhum sucesso nem para esses animais). Nenhum sucesso no mundo inteiro foi conseguido até agora com células embrionárias mas muitos foram conseguidos com as células tronco adultas...

Até pouco tempo estava em debate no STF o uso das células embrionárias e não das células tronco adultas, que sempre foram permitidas com louvor as suas pesquisas. Estavam num debate como que se pra conseguir sucesso com células tronco fosse necessariamente obrigado terem as células embrionárias e assim ignoraram os sucessos das outras células tronco. Iludiram os deficientes na televisão mostrando o que poderia ser feito com as células tronco mas não disseram que desde 1981 se pesquisa células embrionárias sem sucesso... e não disseram também que todos os sucessos conseguidos em muito menos tempo foram sempre com células tronco adultas e que sempre foi permitido sua pesquisa no Brasil.


Estou falando contra as células embrionárias (não contra as células tronco adultas) porque é anti-ético tirar uma vida para tentar salvar outra. Muitos cientistas desacreditam das células embrionárias (não das células tronco adultas) por causa que os dados concretos científicos estatísticos têm demonstrado isso, não somente por suas convicções religiosas, apesar que essas bastariam.

Em relação à reconstituição e transplante de órgãos não existe esse impasse ético e moral, essa sua comparação não teve nada a ver. As pesquisas com transplantes nunca mataram ninguém pra tirar os órgãos e tentar colocar em outros. Mas é o que tão fazendo com as células embrionárias. Nesse caso tentar está custando muitos abortos.

Sou a favor de toda pesquisa científica que melhore a vida do ser humano e minore o seu sofrimento. A partir do momento que alguma pesquisa científica gera a morte ou o sofrimento de alguém ela perde o seu sentido de existir.

Para todos refletirem:
Os fins não justificam os meios.

Responder esta

"Em relação à reconstituição e transplante de órgãos não existe esse impasse ético e moral, essa sua comparação não teve nada a ver. As pesquisas com transplantes nunca mataram ninguém pra tirar os órgãos e tentar colocar em outros. Mas é o que tão fazendo com as células embrionárias."

Não é verdade.A maioria dos grandes passos que a Medicina deu foi a troco de muita luta - desde os seus primeiros avanços,como a própria dissecação(que era feita em cemitérios na época do Renascimento,às escondidas).A transfusão de sangue até hoje não é aceita moralmente por Testemunhas de Jeová(concordando com a Endie neste ponto,se formos tomar a religião como norteadora de principios para discussões como esta,teríamos que analisar respeitando as posições de TODAS as crenças,não só a católica,que é a grande influência do país em termos religiosos).

Considero brilhante a entrevista que coloco abaixo da pesquisadora geneticista Mayana ZATZ.Um gênio.

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(Publicada pela Revista VEJA,nas páginas amarelas, em março do ano corrente).
Entrevista: Mayana Zatz -
É preciso salvar vidas

A pesquisadora explica por que é urgente que o STF libere as pesquisas com células-tronco embrionárias


A bióloga Mayana Zatz é uma das maiores especialistas em células-tronco do país, com quase 300 trabalhos científicos publicados. Nascida em Israel, mora no Brasil desde os 7 anos. Atualmente, ela é pró-reitora de pesquisa e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo. Mayana estuda há mais de trinta anos terapias para doenças neuromusculares, razão pela qual se tornou uma das maiores defensoras, no país, das pesquisas com células-tronco embrionárias, as únicas capazes de se converter em qualquer um dos 216 tipos de célula do corpo humano. Desde 2005, quando o Congresso aprovou a lei brasileira de biossegurança – que autoriza o uso em pesquisas de embriões congelados há mais de três anos –, Mayana luta para que a lei entre em vigor. Isso porque, naquele mesmo ano, a Procuradoria-Geral da República entrou com uma ação de inconstitucionalidade contra a lei. Desde então, os estudos com células-tronco embrionárias estão parados no Brasil. Na semana que vem, o Supremo Tribunal Federal dará sua palavra final sobre o uso dos embriões. Nesta entrevista a VEJA, Mayana defende que o Brasil precisa se juntar quanto antes aos países que pesquisam células-tronco embrionárias.

Veja – As pesquisas com células-tronco embrionárias encontram-se proibidas no Brasil sob o argumento de que vão contra dois princípios constitucionais: o de que a vida é inviolável e o que garante a dignidade da pessoa. Como a senhora avalia essa proibição?

Mayana – Essa proibição é absurda. Inviolável é a vida de inúmeros pacientes que morrem prematuramente ou estão confinados a uma cadeira de rodas e poderiam se beneficiar dessas pesquisas. É preciso entender que os cientistas brasileiros só querem fazer pesquisa com os embriões congelados que permanecem nas clínicas de fertilização, e sempre com o consentimento do casal que os gerou. Se o casal, por algum motivo religioso ou ético, for contra doar seus embriões, não precisará fazê-lo. Deve-se lembrar que o destino dos embriões que não forem utilizados para pesquisa é ficar congelados até ser descartados. Estamos falando de embriões que nunca estiveram num útero, nem nunca estarão. Não existe nenhuma possibilidade de vida para eles.

Veja – Afinal, quando começa a vida? Do ponto de vista da ciência, o embrião é um ser humano?

Mayana – Não existe um consenso sobre quando começa a vida. Cada pessoa, cada religião tem um entendimento diferente. Mas existe, sim, um consenso de que a vida termina quando cessa a atividade do sistema nervoso. Quando o cérebro pára, a pessoa é declarada morta. Pelo mesmo raciocínio, se não existe vida sem um cérebro funcionando, um embrião de até catorze dias, sem nenhum indício de células nervosas, não pode ser considerado um ser vivo. Pelo menos não da forma que entendemos a vida. Por isso, todos os países que permitem pesquisas com embriões determinam que eles devem ter no máximo catorze dias de desenvolvimento. Os embriões congelados que se quer usar no Brasil têm ainda menos tempo, entre três e cinco dias.

Veja – Quais são os principais oponentes da pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil?

Mayana – A oposição vem basicamente da Igreja Católica. Entre as igrejas evangélicas existe uma divisão, mas muitas são a favor. É fundamental que as pessoas entendam que não existe uma briga dos cientistas com a Igreja Católica. A decisão que o Supremo Tribunal Federal vai tomar na semana que vem, liberando ou não as pesquisas com células-tronco embrionárias, diz respeito a toda a sociedade. Por isso, é preciso que não haja desinformação. Há gente confundindo pesquisa com células-tronco embrionárias com aborto.

Veja – Como se manifesta essa confusão?

Mayana – Recebo e-mails surpreendentes de pessoas que perguntam: "Como a senhora tem coragem de interromper uma vida?". Respondo: "Você sabe que esses embriões nunca foram implantados num útero? Você sabe que eles são resultantes de fertilização in vitro?". O remetente, a seguir, pergunta: "Doutora, mas o que é fertilização in vitro?". Já tive vários exemplos desse tipo de desinformação. Recentemente, um padre me mandou um e-mail observando que a grande maioria dos religiosos não teve a oportunidade de aprender ciências e biologia da mesma forma que a população em geral. Quando se aprovou a Lei de Biossegurança, em 2005, permitindo a pesquisa com células-tronco embrionárias, demos aulas para os senadores e deputados. Muitos deles, que primeiramente haviam votado contra as pesquisas, porque não entendiam do assunto, votaram depois a favor. Aí se vê a diferença que faz a informação. É bom lembrar que a Lei de Biossegurança foi aprovada com ampla maioria, depois de uma grande discussão no Congresso. Não foi na calada da noite. Ela obteve o aval de 96% dos senadores e 85% dos deputados.

Veja – Neste ano, a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica tem como tema a defesa da vida e critica o uso de embriões em pesquisas. Num país com tantos católicos, que impacto essa campanha pode ter?

Mayana – O lema da campanha da Igreja é: "Escolhe, pois, a vida". Achei fantástico, porque essa também é a escolha dos cientistas. Estamos preocupados com os pacientes que morrem por causa de doenças neurodegenerativas ou que estão imobilizados por causa de acidentes. Por isso é preciso que se entenda a diferença entre aborto e pesquisa com células-tronco embrionárias. No aborto, há uma vida dentro do útero de uma mulher. Se não houver intervenção humana, essa vida continuará. Já na reprodução assistida, é exatamente o contrário: não houve fertilização natural. Quem procura as clínicas de fertilização são os casais que não conseguem procriar pelo método convencional. Só há junção do espermatozóide com o óvulo por intervenção humana. E, novamente, não haverá vida se não houver uma intervenção humana para colocar o embrião no útero.


Veja – Qual é a contribuição brasileira às pesquisas com células-tronco embrionárias?

Mayana – Muito pequena. Temos uma contribuição significativa em clonagem reprodutiva animal e na pesquisa de terapias com células-tronco adultas na área cardíaca. Com células embrionárias, quase não temos resultados. Acho que nem sequer temos estudos publicados. As células-tronco adultas só formam alguns tecidos, como músculo, osso, gordura e cartilagem. Com elas, não se consegue formar células nervosas, fundamentais para tratar doenças neuromusculares, para regenerar a medula de alguém que ficou paraplégico ou tetraplégico ou para tratar um parente que tem Parkinson. Se não tivermos células-tronco embrionárias para formar neurônios, todas essas pesquisas ficarão prejudicadas.


Veja – Em que países as pesquisas com células-tronco embrionárias estão mais avançadas?

Mayana – Inglaterra, Austrália e Israel, onde a lei permite esse tipo de pesquisa há muito tempo. Nos países de Primeiro Mundo, em geral, onde há uma grande preocupação com a saúde da população, esse tipo de pesquisa é permitido. O ambiente mais favorável nesses países depende de uma série de fatores. Um deles é a boa formação dos legisladores. A alocação de recursos e a presença de cientistas de ponta também são fundamentais. No Brasil, temos alguns centros de excelência, há cientistas que dominam a técnica e são capazes de fazer o que se faz no Primeiro Mundo, mas não em número suficiente. Outra dificuldade que enfrentamos é a demora para viabilizar as pesquisas, em qualquer campo. No Brasil, por causa de entraves burocráticos, levamos até seis meses para importar materiais de pesquisa, enquanto no exterior o tempo é de 24 a 48 horas. Lá fora, entre ter uma idéia e executá-la perde-se um dia. Aqui, passam-se meses. Mas novas medidas prometem tornar as importações mais ágeis.


Veja – Quais podem ser as conseqüências do atraso brasileiro nas pesquisas com células-tronco embrionárias?

Mayana – Teremos de pagar royalties gigantescos para importar uma tecnologia que poderíamos estar produzindo aqui. Em segundo lugar, se amanhã houver no exterior tratamentos com células-tronco embrionárias não disponíveis no Brasil, as pessoas com boa situação financeira irão para fora se tratar. O que os pobres vão fazer? O SUS vai cobrir os custos de um tratamento no exterior? Eu atendo pacientes com doen-ças muito graves. Quando comunico aos pais de uma criança que o filho deles tem uma doença para a qual não existe cura, eles sempre me perguntam, angustiados, se em algum lugar do mundo existe possibilidade de tratamento. Se o casal tem dinheiro, eu até o incentivo a ir ao exterior, para que tenha a certeza de que tentou tudo. Se os pais não têm recursos, digo que todos os tratamentos disponíveis lá fora podem ser feitos aqui. Mas, se amanhã houver no exterior tratamentos com células-tronco embrionárias que não estão disponíveis aqui, os casais mais pobres vão entrar em desespero.

Veja – O presidente George W. Bush é um dos mais ferrenhos opositores às pesquisas com células-tronco embrionárias. Que impacto tem essa posição do governo americano no cenário científico internacional?

Mayana – Certamente a postura do presidente Bush tem um peso negativo. Nos Estados Unidos, os projetos nessa área não podem receber dinheiro público. Em compensação, as pesquisas científicas contam com enormes investimentos da iniciativa privada. Muitos trabalhos com células-tronco embrionárias saíram de lá. Só na Califórnia, em 2005, investiram-se 3 bilhões de dólares em pesquisas com células-tronco.

Veja – Como a senhora responde aos críticos que dizem que as pesquisas com células-tronco, mesmo as adultas, vão na contramão da natureza?

Mayana – Quando você faz uma cesariana, e não um parto, está indo contra a natureza. Quando vacina seus filhos, está aumentando a imunidade deles e indo contra a natureza. Quando alguém tem uma pneumonia e você dá um antibiótico, está indo contra a natureza. É porque temos ido tão freqüentemente contra a natureza que a expectativa de vida tem subido tanto no mundo. Vejo em grande parte as células-tronco como uma possibilidade de regenerar órgãos, como um substituto para os transplantes. Hoje, a sociedade aprova quando um indivíduo está doente e recebe um transplante de coração. Mas não é fácil fazer um transplante. Há filas para receber um órgão, há o desafio de achar um doador compatível. No futuro, se conseguirmos regenerar o coração, ou outros órgãos, com células-tronco, não haverá razão para não fazê-lo.

Veja – Os estudos sobre as células-tronco adultas evoluem rapidamente, mas suas aplicações práticas ainda são muito restritas. Falta muito para que a medicina se beneficie amplamente desses estudos?

Mayana – Hoje, as células-tronco adultas são usadas no tratamento de doenças do sangue, como leucemias, anemias e talassemia. Nas outras áreas, tudo o que há são tentativas terapêuticas. A grande barreira para desenvolver tratamentos é que ainda não temos total conhecimento sobre a diferenciação celular, ou seja, o processo pelo qual uma célula-tronco se transforma em outro tipo de célula. Já sabemos que temos uma multiplicidade de células-tronco com diferentes potenciais. Mas não temos ainda como controlar essas células. Um exemplo: eu injeto células-tronco para regenerar o músculo de alguém, mas essas células resolvem que vão virar osso. Se isso acontecer, não tenho mais como controlar o processo.

Veja – Quais serão, no futuro, os principais benefícios dos tratamentos com células-tronco?

Mayana – A terapia com células-tronco pode ser considerada como o futuro da medicina regenerativa. Entre as áreas mais promissoras, está o tratamento para diabetes, doenças neuromusculares, como as distrofias musculares progressivas e a doença de Parkinson. Com as células-tronco, também se poderá promover a regeneração de tecidos lesionados por causas não hereditárias, como acidentes, ou pelo câncer. O tratamento do diabetes é muito promissor porque depende da regeneração específica de células que produzem insulina, o que é mais fácil do que regenerar por completo um órgão complexo. As células-tronco vão permitir que as pessoas vivam muito mais e de forma saudável. Uma pessoa que precise de um transplante de coração ou de fígado, se tiver a possibilidade de fazer uma terapia com células-tronco em vez de esperar anos numa fila por um órgão novo, terá uma qualidade de vida muito melhor.


Veja – Alguns dermatologistas já anunciam tratamentos estéticos com células-tronco. Eles funcionam?
Mayana – Como ainda não temos controle total sobre a diferenciação celular, não faz sentido injetar células-tronco para melhorar a pele. Ainda não estamos prontos para isso. Daqui a alguns anos, pode ser. O conselho que dou aos potenciais clientes desses tratamentos é: investigue quem é o médico que os está oferecendo. Pesquise na internet, procure levantar o currículo dele, o que ele publicou sobre esse assunto, a que entidade está ligado.

Veja – Cientistas dizem que, dentro de alguns anos, será possível manipular o DNA dos embriões de forma a interferir nas características dos bebês. Estamos caminhando nesse sentido?

Mayana – Atualmente, só o que podemos descobrir é se um embrião tem uma mutação que determina uma doença específica. Se uma família sabe que tem uma doença genética qualquer, pode optar por fazer fertilização in vitro para selecionar um embrião livre do gene que predispõe o portador àquela doença. Nesse caso, acho válido. Evita-se que a criança nasça com uma doença genética grave. Também já é possível selecionar o sexo do futuro bebê, embora isso seja considerado antiético na maioria dos países. Mas existe uma perspectiva de que, nos próximos dez anos, seja possível seqüenciar o genoma de uma pessoa por 1 000 dólares. Ela pode descobrir que tem uma montanha de mutações. A questão ética é o que se vai fazer com essas informações. Talvez sejam usadas para rejeitar um candidato a emprego ou influir no custo do plano de saúde. Há inúmeras mutações que carregamos e nunca vão se manifestar.

Veja – No futuro será possível também selecionar embriões para gerar crianças mais inteligentes ou com determinadas características físicas?

Mayana – No caso de algumas características, sim, mas acho um absurdo manipular um embrião para que a criança nasça com olhos azuis, por exemplo. Sou totalmente contra. Até porque os padrões de beleza são variáveis. Hoje uma pessoa considerada bonita é de um jeito, mas daqui a vinte anos o padrão será outro. Seria muito difícil controlar todos os fatores genéticos que interagem na inteligência. O ambiente tem um papel muito importante. Lembro-me daquela experiência nos Estados Unidos em que mulheres foram fertilizadas com espermatozóides de ganhadores do Prêmio Nobel. Anos depois, não havia nenhum gênio entre os descendentes dessas mulheres. Ou seja, os resultados são totalmente imprevisíveis. As células-tronco servem para curar e salvar, não para fazer experiências exóticas.

Mayana Zatz possui uma coluna semanal no VEJA Online.

Responder esta

Sou a favor das pesquisas com o intuito de descobrir a cura para doenças graves. Mas discordo de manipular genes para definir características dos indivíduos.

E quem reclama das pesquisas com células-tronco achando que são um crime contra a vida se esquece de que estamos a salvo da tuberculose, sarampo, tétano e outras doenças porque tomamos vacinas que antes foram testadas em animais De forma análoga, não se pode construir uma refinaria de petróleo em cima de um matagal, é preciso demarcar uma parte dele para derrubá-lo. Essa é uma outra história, mas o raciocínio é o mesmo. Os cientistas trabalham pelo bem maior, que é a aplicação dos conhecimentos na melhoria da nossa qualidade de vida. Embriões acéfalos descartados nada mais são do que o preço a se pagar por isso.

Responder esta

Em relação à reconstituição e transplante de órgãos não existe esse impasse ético e moral, essa sua comparação não teve nada a ver. As pesquisas com transplantes nunca mataram ninguém pra tirar os órgãos e tentar colocar em outros. Mas é o que tão fazendo com as células embrionárias."

Não é verdade. A maioria dos grandes passos que a Medicina deu foi a troco de muita luta - desde os seus primeiros avanços,como a própria dissecação(que era feita em cemitérios na época do Renascimento,às escondidas). A transfusão de sangue até hoje não é aceita moralmente por Testemunhas de Jeová(concordando com a Endie neste ponto,se formos tomar a religião como norteadora de principios para discussões como esta,teríamos que analisar respeitando as posições de TODAS as crenças,não só a católica,que é a grande influência do país em termos religiosos). (Raquel)

Você afirmou que não era verdade mas não disse porque... então eu reafirmo que comparar as pesquisas de células embrionárias com as de transplante de órgãos não tem nada a ver. Nas pesquisas com transpante de órgãos sempre se tirou órgãos de defuntos para colocar em pessoas vivas que precisavam deles, nunca se matou alguém (ao menos que se tenha publicado) para tirar seus órgãos e dar a outro, mas é exatamente isso que se faz ao pesquisar as células embrionárias porque se mata um embrião que é vida humana... entendeu??? Em se falando de usar princípios religiosos para nortear as coisas (quando você disse que concondava com a Endie) não tô falando de religião, falo de ética, que independe de religião, mas conicidentemente a Igreja defende princípios éticos que devem ser defendidos até por ateus porque sem ética e moral não há sociedade civilizada e nem bem-estar geral. Falando sobre transplantes novamente, a Igreja nunca se pronunciou contra o transplante de órgãos, ao contrário apóia, assim como transfusão de sangue, etc. Em se falando da dissecação de cadáveres no renascimento, isso era incomum para a sociedade da época que tinha um contexto muito diferente do nosso (não julguemos fatos passados com nossas experiências atuais), existia muito mais a questão cultural da época, nunca houve uma proibição oficial do Papa, mesmo naquela época, ao contrário do que dizem alguns (confiram o que eu disse nesses links: http://scribebat.blogspot.com/2007/12/igreja-contra-o-progresso-cie... ; http://nabeto.blogspot.com/2008/04/igreja-contra-dissecao-de-cadver... ; http://www.anatomiaonline.com/historia.htm ; http://www.cefetsc.edu.br/~radiologia/anatomia.html ; http://www.rborl.org.br/conteudo/acervo/print_acervo.asp?id=2842 . Independente disso não se tiravam vidas...


Considero brilhante a entrevista que coloco abaixo da pesquisadora geneticista Mayana ZATZ.Um gênio.
Raquel

Cuidado para não idolatrar as pessoas pelos seus títulos. Pra mim ela não passa de um mero mortal que, até que me prove o contrário, discordo de suas opiniões. E não somente eu, que também sou um mero mortal, mas muitos cientistas tão competentes e até mais... O que quero dizer é que apesar de não sermos pesquisadores nem cientistas mas não somos burros... não devemos usar argumentos como: Fulano falou e fulano é tal coisa aí eu acredito nele... devemos saber em que e porque acreditamos. Não é preciso ser Phd para entender esse assunto.

Coloquei uns comentários sobre a entrevista da Mayana:

Veja – As pesquisas com células-tronco embrionárias encontram-se proibidas no Brasil sob o argumento de que vão contra dois princípios constitucionais: o de que a vida é inviolável e o que garante a dignidade da pessoa. Como a senhora avalia essa proibição?

Mayana – Essa proibição é absurda. Inviolável é a vida de inúmeros pacientes que morrem prematuramente ou estão confinados a uma cadeira de rodas e poderiam se beneficiar dessas pesquisas. É preciso entender que os cientistas brasileiros só querem fazer pesquisa com os embriões congelados que permanecem nas clínicas de fertilização, e sempre com o consentimento do casal que os gerou. Se o casal, por algum motivo religioso ou ético, for contra doar seus embriões, não precisará fazê-lo. Deve-se lembrar que o destino dos embriões que não forem utilizados para pesquisa é ficar congelados até ser descartados. Estamos falando de embriões que nunca estiveram num útero, nem nunca estarão. Não existe nenhuma possibilidade de vida para eles.


Exite aí uma mentira e uma apelação sentimentalista que ilude. A ilusão: Ela começa falando dos pacientes que morrem prematuramente e dos que estão confinados numa cadeira de rodas e que poderiam se beneficiar das células embrionárias... O perigo é que esses pacientes se iludem, se eles soubessem que desde 1998 se faz pesquisa com células embrionárias humanas no mundo e desde 1981 se faz pesquisas com células embrionárias de camundongos e não se obteve nenhum resultado de sucesso no mundo inteiro... se eles soubessem que já existem pelo menos 73 terapias pesquisadas com células tronco adultas e que deram sucesso no Brasil e no mundo e que essas células tronco adultas sempre foram liberadas... talvez não ficassem achando que a salvação está nas células embrionárias e talvez não ficassem achando que serão curados imediatamente por sua legalização no STF... até porque talvez nunca venha essa cura ou talvez venha de outra fonte (veja o reflexo dessa ilusão: http://www.faped.org/noticias.php?id_texto=58 ). A mentira: O destino dos embriões não tem que ser para ficar congelados até ser descartados, nos EUA já existem casais que doam seus embriões congelados para outros casais que queiram adota-los como filhos e esses embriões são implantados no útero de quem os adotou e são gerados. Existem uma campanha nos EUA incentivando essa prática. Tem um vídeo no youtube que desmente a Mayana e mostra essa campanha: http://www.youtube.com/watch?v=Pf9dI3UdWq0


Veja – Afinal, quando começa a vida? Do ponto de vista da ciência, o embrião é um ser humano?

Mayana – Não existe um consenso sobre quando começa a vida. Cada pessoa, cada religião tem um entendimento diferente. Mas existe, sim, um consenso de que a vida termina quando cessa a atividade do sistema nervoso. Quando o cérebro pára, a pessoa é declarada morta. Pelo mesmo raciocínio, se não existe vida sem um cérebro funcionando, um embrião de até catorze dias, sem nenhum indício de células nervosas, não pode ser considerado um ser vivo. Pelo menos não da forma que entendemos a vida. Por isso, todos os países que permitem pesquisas com embriões determinam que eles devem ter no máximo catorze dias de desenvolvimento. Os embriões congelados que se quer usar no Brasil têm ainda menos tempo, entre três e cinco dias.


Esse conceito de que a vida começa quando se forma o sistema nervoso é totalmente infundado e, mesmo ela, se usar de bom senso, sabe que não tem fundamento mas é o único conceito possível para se tentar justificar que esses embriões não são vidas humanas e usá-los em pesquisas. A vida humana começa na fecundação, todo livro de embriologia sempre disse isso e esse conceito não pode mudar porque surgiram outros interesses. A partir da fecundação surge um novo ser com um novo DNA com todas as informações de um ser humano, um ser da espécie humana que cresce e se desenvolve por si só se for dado a ele tempo e nutrição (condição para que todo ser humano bebê ou adulto possa viver). O embrião no ventre materno cria, por si só, o seu espaço, ele produz hormônio para fazer com que o útero da mãe esteja propício à sua estadia lá, ele se fixa na parede do útero (nidação) para buscar nutrientes e crescer, ele promove a formação da placenta: é uma vida humana vivendo ali e crescendo, o útero é o meio favorável para isso, a menos que alguém interrompa ela vive por si só. O embrião fecundado em laboratório vai morrer se não tiver um ambiente favorável ao seu crescimento, no útero ele encontra esse ambiente. Uma pessoa com morte cerebral não vive em nenhum meio que se possa imaginar e essa morte cerebral é irreversível, não há condição de vida, diferente do embrião que tem toda a condição. Não tem que existir raciocínio ou consciência para haver vida humana, uma pessoa em coma não raciocina nem está consciente mas está viva, da mesma forma um embrião já com o sistema nervoso formado e da mesma forma um bebê recém-nascido também não tem consciência sobre si mesmo. Em se falando de instintos, um bebê se defende através do choro e isso é instinto humano, um embrião não emite som como um choro mas se defende também em seus movimentos intra-uterinos, podemos dizer que tem instinto de sobrevivência. O embrião humano, da espécie humana, é uma vida e um ser humano completo em sua dignidade de vida humana!!!

Veja – Quais são os principais oponentes da pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil?

Mayana – A oposição vem basicamente da Igreja Católica. Entre as igrejas evangélicas existe uma divisão, mas muitas são a favor. É fundamental que as pessoas entendam que não existe uma briga dos cientistas com a Igreja Católica. A decisão que o Supremo Tribunal Federal vai tomar na semana que vem, liberando ou não as pesquisas com células-tronco embrionárias, diz respeito a toda a sociedade. Por isso, é preciso que não haja desinformação. Há gente confundindo pesquisa com células-tronco embrionárias com aborto.

A oposição não é somente da Igreja Católica, a Luterana, a Batista, a Anglicana, a Igreja Cristã Reformada, a Metodista, a Presbiteriana e a Ortodoxa também o fazem. De modo geral as Igrejas Cristãs tradicionais mais antigas e sérias são contra essas pesquisas, algumas Igrejas neo-pentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e outras da mesma linha, são tão contraditórias que às vezes permitem até o aborto (às vezes não defendem a vida mas o dinheiro). Muitos grupos espíritas são contra as pesquisas dessas células também. De acordo com uma pesquisa rápida que fiz na internet, entre os judeus não há opinião oficial mas muitos são a favor e entre os mulçumanos, talvez por falta de informação de muitos e da falta de uma unidade entre eles, uns líderes são radicalmente contra e outros a favor. E, na verdade, esse não é um debate de cunho religioso mas moral e ético.
Achei interessante um comentário que vi no site: http://igrejauna.blogspot.com/2008_05_01_archive.html em que o Danilo Augusto disse sobre a votação do STF: Todo mundo já sabia que a história iria terminar assim. Não foi surpresa.
Depois de “amplas discussões” os mais importantes ministros do Supremo decidiram permitir a pesquisa com as famosas células tronco embrionárias.
Dois argumentos principais foram usados: 1. se o Brasil não pesquisar com as células embrionárias poderá ficar na rabeira da evolução cientifica mundial. 2. o estado é laico e não pode ter seu desenvolvimento cientifico prejudicado pelo “atraso” das posições da Igreja.
Devemos ressaltar que o uso do “Argumento da igreja católica”, como forma de caracterizar toda a tentativa de se preservar a dignidade da pessoa humana, foi muito bem explorado pelos geneticistas da USP e de outras “instituições públicas” para desacreditar os defensores da inconstitucionalidade da lei em questão.
Os cientistas pró-pesquisas mudaram vergonhosamente o tom do “diálogo democrático”, fazendo com que não mais se discutisse validamente o resultado e o método de tais pesquisas, mas criaram um ambiente “inquisitorial” onde era a fé versus a razão. Contribuíram os meios de comunicação de massa (Globo e Record, principalmente) quando noticiavam coisas do tipo “o Ministro, que é ligado à Igreja Católica, pediu vista...”.

E ele diz ainda: Bem, não é liberando embriões que esses cientistas terão suas pesquisas publicadas em grandes revistas. Com exceção das pesquisas genéticas com fins agrícolas, a genética brasileira é bem atrasada e subdesenvolvida e o problema está na falta de investimentos e não na falta de embriões humanos para testes.

Completando o comentário acima quero fazer uma ressalva: Estado Laico é um Estado que permite e aceita toda forma de manifestação religiosa sem descriminação, preferência nem rejeição por nenhuma. Ser laico não é rejeitar religião, não é ser ateu, mas aceitar todas elas e saber escutar com acolhimento suas manifestações.
Quero reiterar também o que ele falou que não é por falta de células embrionárias que o Brasil é atrasado.

Quando a Mayana afirmou: Por isso, é preciso que não haja desinformação. Há gente confundindo pesquisa com células-tronco embrionárias com aborto. Na posição de leitor eu tenho uma ligeira impressão que ela está subestimando a capacidade de inteligência de todos os leitores brasileiros, em outras palavras me sinto chamado de burro!!! Vamos discutir o que é aborto: Segundo a Wikipédia “Um aborto ou interrupção da gravidez (ver terminologia) é a remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero, resultando na sua morte ou sendo por esta causada.” Talvez para alguns o mais importante num aborto seja o útero (preocupação com os males causados ao útero da mãe) mas o ponto principal do aborto, quando falamos que é crime, é a morte do embrião ou feto (o crime seria o assassinato da vida humana embrionária ou fetal). A semelhança entre o aborto e as pesquisas com células embrionárias é a morte do embrião por isso a culpabilidade é a mesma, o crime é o mesmo, o assassinato é de igual proporção. Pode-se dizer sim que as pesquisas com células embrionárias são abortos e não é por desinformação mas pra mostrar o porquê de ser contra essas pesquisas. A OMS considera que a partir da nidação (que ocorre por volta do quinto dia depois da fecundação) se houver morte do embrião no útero acontece um aborto, nesse momento o embrião ainda não tem o sistema nervoso formado e a OMS diz que é aborto. Para mim seria aborto desde o primeiro dia (fecundação) mas o que quero mostrar é que se considerarmos o estágio de desenvolvimento do sistema nervoso do embrião então essas pesquisas seriam aborto de acordo com OMS.

Veja – Como se manifesta essa confusão?

Mayana – Recebo e-mails surpreendentes de pessoas que perguntam: "Como a senhora tem coragem de interromper uma vida?". Respondo: "Você sabe que esses embriões nunca foram implantados num útero? Você sabe que eles são resultantes de fertilização in vitro?". O remetente, a seguir, pergunta: "Doutora, mas o que é fertilização in vitro?". Já tive vários exemplos desse tipo de desinformação. Recentemente, um padre me mandou um e-mail observando que a grande maioria dos religiosos não teve a oportunidade de aprender ciências e biologia da mesma forma que a população em geral. Quando se aprovou a Lei de Biossegurança, em 2005, permitindo a pesquisa com células-tronco embrionárias, demos aulas para os senadores e deputados. Muitos deles, que primeiramente haviam votado contra as pesquisas, porque não entendiam do assunto, votaram depois a favor. Aí se vê a diferença que faz a informação. É bom lembrar que a Lei de Biossegurança foi aprovada com ampla maioria, depois de uma grande discussão no Congresso. Não foi na calada da noite. Ela obteve o aval de 96% dos senadores e 85% dos deputados.


Nesse comentário: Recebo e-mails surpreendentes de pessoas que perguntam: "Como a senhora tem coragem de interromper uma vida?". Respondo: "Você sabe que esses embriões nunca foram implantados num útero? Você sabe que eles são resultantes de fertilização in vitro?". O remetente, a seguir, pergunta: "Doutora, mas o que é fertilização in vitro?". Já tive vários exemplos desse tipo de desinformação. Novamente ela considera que as pessoas que são contra as pesquisas e o leitor dessa entrevista são desinformados.

Depois comenta: Recentemente, um padre me mandou um e-mail observando que a grande maioria dos religiosos não teve a oportunidade de aprender ciências e biologia da mesma forma que a população em geral. Se for verdade que um Padre foi dizer isso a ela é bom esclarecer que não é por causa desse Padre que a Igreja é oficialmente contra as pesquisas com células tronco embrionárias. Não sei se ele sabe nem se a Mayana sabe mas a Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano, que conta com a presença de 29 acadêmicos vencedores de prêmios Nóbeis (veja nesses sites: http://culturadavida.blogspot.com/2008/04/academia-de-cincias-do-va... ; http://benedettoxvi.va/roman_curia/pontifical_academies/acdscien/in... ), tem informação suficiente para subsidiar conhecimentos científicos na área de biologia que fundamenta toda a posição da Igreja. Se a questão é ter títulos para se saber quem diz a verdade então quem tem mais Títulos?

Quando diz ainda: Quando se aprovou a Lei de Biossegurança, em 2005, permitindo a pesquisa com células-tronco embrionárias, demos aulas para os senadores e deputados. Muitos deles, que primeiramente haviam votado contra as pesquisas, porque não entendiam do assunto, votaram depois a favor. Aí se vê a diferença que faz a informação. Denovo chama o povo de desinformado. Tem muita gente que, realmente por desinformação, vai com a maré (segue o fluxo) como foi ela quem deu a aula então convenceu quem não sabia do assunto, se fosse outra pessoa tinha convencido diferente, professor é formador de opinião e mesmo sem querer e muitas vezes querendo impõe o seu lado da história.

Veja – Neste ano, a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica tem como tema a defesa da vida e critica o uso de embriões em pesquisas. Num país com tantos católicos, que impacto essa campanha pode ter?

Mayana – O lema da campanha da Igreja é: "Escolhe, pois, a vida". Achei fantástico, porque essa também é a escolha dos cientistas. Estamos preocupados com os pacientes que morrem por causa de doenças neurodegenerativas ou que estão imobilizados por causa de acidentes. Por isso é preciso que se entenda a diferença entre aborto e pesquisa com células-tronco embrionárias. No aborto, há uma vida dentro do útero de uma mulher. Se não houver intervenção humana, essa vida continuará. Já na reprodução assistida, é exatamente o contrário: não houve fertilização natural. Quem procura as clínicas de fertilização são os casais que não conseguem procriar pelo método convencional. Só há junção do espermatozóide com o óvulo por intervenção humana. E, novamente, não haverá vida se não houver uma intervenção humana para colocar o embrião no útero.


Quando ela diz: Estamos preocupados com os pacientes que morrem por causa de doenças neurodegenerativas ou que estão imobilizados por causa de acidentes. Por isso é preciso que se entenda a diferença entre aborto e pesquisa com células-tronco embrionárias. Dá uma falsa impressão de uma cura dependente dessas células e que pode nunca existir (alimenta a ilusão) e usa de sentimentalismo falando da imagem de pacientes doentes.

Quando diz: No aborto, há uma vida dentro do útero de uma mulher. Se não houver intervenção humana, essa vida continuará. Já na reprodução assistida, é exatamente o contrário: não houve fertilização natural. A diferença entre um caso e outro é como se o primeiro estivesse num Oásis cheio de comida, água, sombra e agasalho enquanto o outro estivesse no meio do deserto do Saara sem comida nem água nem abrigo nem agasalho, o segundo não sobreviverá muito tempo mas se for levado para o Oásis vive igual ao primeiro, por fim os dois são iguais. Essa é a diferença entre o embrião no útero da mãe e o embrião no laboratório, eles só precisam de ambiente e nutrição pra se desenvolver mas são vidas humanas de mesma natureza, no embrião não houve fertilização natural mas houve fertilização in vitro que são a mesma coisa, muda o local onde ocorreu a fertilização mas elas tem o mesmo efeito.

E quando diz: E, novamente, não haverá vida se não houver uma intervenção humana para colocar o embrião no útero. O embrião tem vida por si só, a vida está nele e não no útero. É como na história do Oásis e do Deserto.

Veja – Qual é a contribuição brasileira às pesquisas com células-tronco embrionárias?

Mayana – Muito pequena. Temos uma contribuição significativa em clonagem reprodutiva animal e na pesquisa de terapias com células-tronco adultas na área cardíaca. Com células embrionárias, quase não temos resultados. Acho que nem sequer temos estudos publicados. As células-tronco adultas só formam alguns tecidos, como músculo, osso, gordura e cartilagem. Com elas, não se consegue formar células nervosas, fundamentais para tratar doenças neuromusculares, para regenerar a medula de alguém que ficou paraplégico ou tetraplégico ou para tratar um parente que tem Parkinson. Se não tivermos células-tronco embrionárias para formar neurônios, todas essas pesquisas ficarão prejudicadas.


Não é verdade que somente com células embrionárias é possível formar neurônios, é possível também com células tronco adultas como diz Alysson Muotri, pesquisador do instituto Salk, em San Diego na Califórnia: O modelo de células-tronco adultas neurais já está bem estabelecido. Bom, pelo menos sabemos alguns dos fatores responsáveis pela diferenciação e manutenção do estado indiferenciado. No modelo embrionário, o buraco é mais embaixo. A expectativa era de que poderíamos aplicar o conhecimento obtido com células-tronco embrionárias (CTEs) de camundongos no modelo humano, mas o tiro saiu pela culatra. As CTEs humanas não têm absolutamente nada a ver com as de camundongos, a maioria dos experimentos não reproduziu os resultados obtidos com o modelo de camundongo. Dessa forma, o maior desafio das células-tronco embrionárias é descobrir a melhor forma de lidar com elas: como expandi-las, como mantê-las indiferenciadas, como congelar, passar etc. Nas células-tronco adultas, já estamos numa outra fase, que envolve como diferenciá-las da melhor forma possível. Por exemplo, sabemos como gerar neurônios, mas não sabemos como gerar neurônios especializados, como neurônios motores ou dopaminérgicos. http://www.ivct.org/index.php?option=com_content&task=view&...

Pode-se usar também as células tronco reprogramadas: CHICAGO, EUA (AFP) - A terapia com células-tronco obtidas a partir de células da pele reduziu consideravelmente os sintomas do mal de Parkinson em ratos, de acordo com estudos publicados nesta segunda-feira nos Estados Unidos.
Cientistas do Instituto de pesquisa Biomédica Whitehead em Cambridge, Massachusetts, utilizaram uma técnica recente para reconstruir células-tronco a partir de células da pele e depois tratarem as cobaias que sofriam dessa doença neurológica degenerativa.
Quando os ratos foram estudados várias semanas depois do transplante dessas células, os sintomas do Mal de Parkinson haviam reduzido consideravelmente, confirmando que as células-tronco "reprogramadas", que faz as vezes das embrionárias, poderiam substituir neurônios perdidos ou afetados.
"É a primeira demonstração de que as células reprogramadas podem se integrar ao sistema cerebral ou ter um efeito positivo sobre uma doença neurodegenerativa", indicou Marius Wering, principal autor da pesquisa divulgada nas Atas da Academia Nacional de Ciências.
http://culturadavida.blogspot.com/2008/04/cientistas-dos-eua-tratam... ; http://celulas-tronco.wikidot.com/tipos-de-celulas-tronco

Existe a possibilidade de se estudar mais e descobrir novas técnicas e possibilidades de uso tanto com as células tronco adultas, inclusive as células tronco neuronais, como com as células tronco reprogramadas cujas descobertas são bem recentes.

Veja – Em que países as pesquisas com células-tronco embrionárias estão mais avançadas?

Mayana – Inglaterra, Austrália e Israel, onde a lei permite esse tipo de pesquisa há muito tempo. Nos países de Primeiro Mundo, em geral, onde há uma grande preocupação com a saúde da população, esse tipo de pesquisa é permitido. O ambiente mais favorável nesses países depende de uma série de fatores. Um deles é a boa formação dos legisladores. A alocação de recursos e a presença de cientistas de ponta também são fundamentais. No Brasil, temos alguns centros de excelência, há cientistas que dominam a técnica e são capazes de fazer o que se faz no Primeiro Mundo, mas não em número suficiente. Outra dificuldade que enfrentamos é a demora para viabilizar as pesquisas, em qualquer campo. No Brasil, por causa de entraves burocráticos, levamos até seis meses para importar materiais de pesquisa, enquanto no exterior o tempo é de 24 a 48 horas. Lá fora, entre ter uma idéia e executá-la perde-se um dia. Aqui, passam-se meses. Mas novas medidas prometem tornar as importações mais ágeis.


Aí ela mostrou qual é o verdadeiro problema do desenvolvimento científico no Brasil: Falta de investimento e prioridade, além da burocracia. A falta das células embrionárias não é desculpa e a presença não vai ser a solução.

Veja – Como a senhora responde aos críticos que dizem que as pesquisas com células-tronco, mesmo as adultas, vão na contramão da natureza?

Mayana – Quando você faz uma cesariana, e não um parto, está indo contra a natureza. Quando vacina seus filhos, está aumentando a imunidade deles e indo contra a natureza. Quando alguém tem uma pneumonia e você dá um antibiótico, está indo contra a natureza. É porque temos ido tão freqüentemente contra a natureza que a expectativa de vida tem subido tanto no mundo. Vejo em grande parte as células-tronco como uma possibilidade de regenerar órgãos, como um substituto para os transplantes. Hoje, a sociedade aprova quando um indivíduo está doente e recebe um transplante de coração. Mas não é fácil fazer um transplante. Há filas para receber um órgão, há o desafio de achar um doador compatível. No futuro, se conseguirmos regenerar o coração, ou outros órgãos, com células-tronco, não haverá razão para não fazê-lo.


Ir na contramão da natureza não é usar dos meios disponíveis e éticos para melhora de vida, não é modificar o meio ao seu favor respeitando o outro, não é fazer uma cirurgia sem matar ninguém para preservar uma vida ou usar essa cirurgia para promover o bem estar de alguém. Nada a ver essas comparações. Ir na contramão da Natureza é tirar uma vida para salvar outra, é matar alguém para tirar o coração e colocar em outra pessoa. Quando tiramos as células de um embrião e ele morre tiramos uma vida para tentar salvar outra. Mas essa pergunta do jornalista foi tendenciosa. Se usarmos células tronco sem matar ninguém, como é o caso das outras células que não são embrionárias, será bom e não terá mal algum.

Veja – No futuro será possível também selecionar embriões para gerar crianças mais inteligentes ou com determinadas características físicas?

Mayana – No caso de algumas características, sim, mas acho um absurdo manipular um embrião para que a criança nasça com olhos azuis, por exemplo. Sou totalmente contra. Até porque os padrões de beleza são variáveis. Hoje uma pessoa considerada bonita é de um jeito, mas daqui a vinte anos o padrão será outro. Seria muito difícil controlar todos os fatores genéticos que interagem na inteligência. O ambiente tem um papel muito importante. Lembro-me daquela experiência nos Estados Unidos em que mulheres foram fertilizadas com espermatozóides de ganhadores do Prêmio Nobel. Anos depois, não havia nenhum gênio entre os descendentes dessas mulheres. Ou seja, os resultados são totalmente imprevisíveis. As células-tronco servem para curar e salvar, não para fazer experiências exóticas.

Concordo com ela nesse ponto das experiências exóticas.

Sou a favor de toda pesquisa científica que melhore a vida do ser humano e minore o seu sofrimento. A partir do momento que alguma pesquisa científica gera a morte ou o sofrimento de alguém ela perde o seu sentido de existir.

Para todos refletirem:
Os fins não justificam os meios.

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Afinal, qual é a real parcela de sofrimento que as pesquisas com células-tronco realmente causam nos pacientes das quais elas são retiradas? Um embrião acéfalo com menos de 7 dias é considerado um ser vivo? Estamos brincando de Deus ou apenas salvando vidas?

Depende de qual jornal está escrevendo, e de qual igreja está ganhando dinheiro com a condenação ou defesa das pesquisas. Eu porém afirmo que os fins justificam sim os meios, neste caso. Se você tem uma doença grave cuja cura poderia estar nas células-tronco, cuja retirada não causa a morte do paciente, vai protestar contra as pesquisas e abdicar da sua vida em nome do embrião que sequer chegará a vingar?

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Raphael, eu acho que vc não entendeu direito o que são células tronco nem quais são seus tipos nem a diferença entre células tronco embrionárias e células tronco adultas, nem como são retiradas as células embrionárias e nem o conceito de vida e desenvolvimento dos embriões.

Um embrião acéfalo com menos de 7 dias é considerado um ser vivo?

Sim, até uma bactéria, que é muito menos complexa que qualquer célula do corpo humano, é considerada um ser vivo. Somente em relação aos vírus de vez em quando há uma dúvida se são seres vivos ou não porque eles não passam de uma pedaço de DNA ou RNA envolvido por uma cápsula de proteína, que não necessitam nem de nutrição para sobreviver e para se reproduzirem precisam usar todo o mecanismo da célula que eles invadem e normalmente destroem.
Mas o maior problema ético e moral em matar o embrião humano não é por ser simplesmente um ser vivo mas sim por ser um ser vivo da espécie humana. E não é somente um amontoado de células da espécie humana como que um pedaço de tecido vivo de qualquer parte do corpo humano mas é um organismo humano inteiro e completo: autônomo em sua sobrevivência e desenvolvimento.

Estamos brincando de Deus ou apenas salvando vidas?

Isso depende da intenção de cada um... Na verdade o termo "brincar de Deus" acredito que sirva somente para alimentar a vaidade de alguns... Alguns querem brincar de Deus e outros querem salvar vidas... mas ninguém nunca foi capaz de fazer surgir a vida nem em um ser unicelular porque a vida é um dom de Deus.

Depende de qual jornal está escrevendo, e de qual igreja está ganhando dinheiro com a condenação ou defesa das pesquisas.

Alguns defendem seus interesses ocultos: o capitalismo selvagem, os governos e as indústrias estão aí, muitas vezes, fazendo isso... Mas em relação às Igrejas não acredito que isso aconteça, não há como as Igrejas ganharem ou perderem algum dinheiro com isso, é uma questão ética e moral mesmo, discutida entre os cientistas também e muitos deles, acredite, também defendem seus interesses ocultos...

Eu porém afirmo que os fins justificam sim os meios, neste caso.

Eu acredito que os fins nunca justificam os meios. O que é mal não produz frutos bons.

Se você tem uma doença grave cuja cura poderia estar nas células-tronco, cuja retirada não causa a morte do paciente, vai protestar contra as pesquisas e abdicar da sua vida em nome do embrião que sequer chegará a vingar?

Não protesto contra todas as células tronco mas contra as células embrionárias. A retirada das células embrionárias causa a morte do embrião que é um organismo humano completo. O embrião vinga quando ele tem condição pra isso e a condição é estar no útero materno e que o útero esteja preparado pra ele, basta que seja colocado lá. Em relação a abdicar da minha vida é complicado falar sobre isso porque em determinados momentos não agimos com razão e sem agir com razão também não agimos com justiça, não coloque situações apelativas para a emoção. Não é correto matar um embrião, mesmo que esse viesse a salvar uma pessoa.

Algumas vezes temos a tentação de querer ignorar o embrião porque é mais cômodo mas não é o mais certo, seria como matar e tirar um órgão de um probre indigente para salvar a vida de uma pessoa importante ou seria como fazer um aborto em nome de não prejudicar os estudos de uma adolescente que não pode assumir um filho... Os fins não justificam os meios.

E falando sobre "Ilusão das células embrionárias" me refiro à forma como o tema foi abordado no Brasil: como se fosse indispensavelmente necessário ter as células embrionárias para alcançar a cura dos doentes e dos deficientes e como se, podendo-se usar essas células, fosse certa a cura dessas mesmas pessoas... foram iludidas, quanta comoção foi expressada por eles nos manifestos em Brasília na época da votação... Não sabem elas que no Brasil sempre pôde se pesquisar com células tronco adultas e que todas as terapias de cura com sucesso já descobertas, em todo o mundo, foram todas com células tronco adultas e nenhuma com células embrionárias, talvez nunca dê certo as pesquisas com células embrionárias humanas... e, por ironia, talvez muitas curas venham das células adultas como já tem começado a acontecer...

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